Marchewski Assessoria Esportiva
← Voltar para o blog
Nutrição

Proteína no emagrecimento: quanto comer por dia para não perder músculo

Durante o emagrecimento, a proteína deixa de ser só "mais um macronutriente" e passa a ser a peça que decide se o peso perdido vem majoritariamente de gordura, ou se leva músculo junto. A quantidade recomendada para sedentários não é suficiente nesse contexto.

Por que a necessidade de proteína aumenta em déficit calórico

A recomendação clássica de 0,8 g de proteína por kg de peso corporal foi pensada para prevenir deficiência em pessoas sedentárias, não para quem treina e está em déficit calórico. Nesse cenário, o corpo tende a "sacrificar" tecido muscular com mais facilidade se não receber proteína suficiente e estímulo de treino de força [1].

Uma revisão que reuniu dezenas de estudos sobre suplementação de proteína e treino de força identificou que os ganhos de massa muscular tendem a se estabilizar em torno de 1,6 g de proteína por kg de peso corporal por dia, valor bem acima da recomendação padrão, e que serve como referência prática para quem treina força visando preservar ou ganhar músculo [2].

O que acontece quando a proteína é baixa demais

No estudo que comparamos no artigo sobre recomposição corporal, o grupo que consumiu menos proteína durante o déficit calórico perdeu massa magra junto com a gordura, mesmo treinando. Já o grupo com ingestão bem mais alta preservou e até ganhou músculo, perdendo mais gordura no processo [3].

Proteína também ajuda a controlar a fome

Entre os três macronutrientes, a proteína é o que gera mais saciedade por caloria consumida. Estudos mostram que aumentar a proporção de proteína na dieta reduz naturalmente a ingestão calórica ao longo do dia, sem que a pessoa precise se esforçar conscientemente para "comer menos" [4].

  • Preserva massa muscular durante o déficit calórico.
  • Aumenta a saciedade, facilitando manter o déficit sem sofrimento.
  • Tem maior efeito térmico: o corpo gasta mais energia digerindo proteína do que gordura ou carboidrato.

Na prática

Não existe um número mágico igual para todo mundo: peso, nível de treino e objetivo mudam a conta. Mas a faixa de referência usada na literatura científica para quem treina força em déficit calórico gira em torno de 1,6 a 2,2 g por kg de peso corporal por dia [1][2]. Ajustar esse número ao seu caso é papel de quem acompanha seu treino e sua alimentação de perto.

Fontes

  1. Helms ER, Zinn C, Rowlands DS, Brown SR. A systematic review of dietary protein during caloric restriction in resistance trained lean athletes. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 2014
  2. Morton RW, Murphy KT, McKellar SR, et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength. British Journal of Sports Medicine, 2018
  3. Longland TS, Oikawa SY, Mitchell CJ, et al. Higher compared with lower dietary protein during an energy deficit combined with intense exercise promotes greater lean mass gain and fat mass loss. American Journal of Clinical Nutrition, 2016
  4. Halton TL, Hu FB. The effects of high protein diets on thermogenesis, satiety and weight loss: a critical review. Journal of the American College of Nutrition, 2004

Quer treinar com esse método?

Chame a assessoria no WhatsApp e conte seu objetivo.